História do Rio Grande do Sul

O Tratado de Tordesilhas, celebrado entre Portugal e Espanha, em 1494, antes da descoberta do Brasil, teve grandes consequências para a história do Rio Grande do Sul. A região foi o palco de muitos conflitos entre os dois reinos, até o início do século 19. Nos séculos 16 e 17, o principal problema eram as limitações técnicas da época para a determinação do traçado do Meridiano de Tordesilhas. Portugal insistia que toda a região do lado oriental do Rio Uruguay era sua, a Espanha discordava. Somente na segunda metade do século 17, os cosmógrafos passaram a determinar as longitudes, com base em métodos de Galileu Galilei.

A tradicional passagem do Meridiano de Tordesilhas próximo a Laguna, em Santa Catarina, registrada na maioria dos livros de história, é um erro. Nem os portugueses, nem os espanhóis, adotaram tal referência. Esse traçado tem base no mapa do Brasil somente conhecido, com alguma precisão, a partir do século 18. Desde o século 16, Portugal defendia oficialmente que as terras do atual Rio Grande do Sul e Uruguay eram brasileiras.

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Século 16

Acredita-se que ocupação humana do território atual do Rio Grande do Sul começou há milhares de anos. No século 16, formavam três grupos principais: guaranis, jês e pampianos. Eram mais de 100 mil habitantes. O litoral norte era habitado pelos carijós e as várzeas da Lagoa do Patos, pelos arechanes, grupos de origem guarani.

Por volta de 1512, a expedição do navegador português João de Lisboa pode ter sido a primeira dos europeus a ter contato com o litoral do Rio Grande do Sul, quando seguiu até o Rio da Prata. A expedição de Martim Afonso de Sousa, também passou pela costa do Rio Grande do Sul, em 1531, mas existem dúvidas quanto a registros dessa área. Em 1534, o Rio de São Pedro (grafado Sam po) foi registrado na Carta de Gaspar Viegas.

Nas décadas seguintes, o litoral gaúcho foi basicamente uma região de passagem para o Rio da Prata. Através desse estuário atingia-se o interior de províncias espanholas e do Brasil. A falta de portos naturais no litoral foi uma das principais razões para a colonização tardia do Rio Grande do Sul.

Em 1549, Thomé de Souza fundou a Cidade do Salvador e unificou politicamente o Brasil, sob seu comando. Com ele chegaram os primeiros jesuítas, que fundaram sua sede provincial na Bahia.

Em 1551, fundou-se a Diocese de São Salvador da Bahia, que ficou responsável por todas as almas da América Lusitana. Até 1892, a Bahia era a sede da única província eclesiástica no Brasil.

Em meados do século 16, mercadores portugueses passaram a praticar o comércio de mercadorias com os índios em terras do atual Rio Grande do Sul. A população de caboclos na região cresceu. Em 1550, o jesuítas português Leonardo Nunes esteve em ação missionária no litoral gaúcho.

As terras do atual Rio Grande do Sul até o Rio da Prata aparecem no mapa de Luís Teixeira (cerca de 1574), cosmógrafo oficial de Portugal, como uma extensão da Capitania de Lopo de Sousa, neto de Martim Afonso de Sousa. Entretanto, a capitania mais ao sul do Brasil é normalmente referida como a de Santana, doada a Pedro Lopes de Souza, irmão de Martim Afonso. Essa capitania não foi colonizada por seus donatários e retornou para a Coroa. Talvez, por isso, o sul do Brasil aparece, em algumas referências, como Capitania d'El Rey. Mas existiam outras capitanias da Coroa.

Em 1580, houve a união das coroas de Portugal e Espanha. A União Ibérica durou até 1640 e relaxou as questões de limites entre as terras dos dois reinos.

Mais: Brasil no Século 16

Século 17

De 1605 a 1637, jesuítas portugueses tentaram estabelecer missões para catequizar índios no litoral norte do atual Rio Grande do Sul, mas não prosperaram.

Em 1626, durante a União Ibérica, o Governador do Rio da Prata, em Buenos Aires, D. Francisco de Céspedes, permitiu que os jesuítas espanhóis fundassem missões no lado oriental do Rio Uruguay (terras do atual Rio Grande do Sul). Foi um pedido dos próprios guaranis. Entre 1626 e 1634, foram fundadas 18 missões no interior do atual Rio Grande do Sul. Entretanto, essas missões eram consistentemente atacadas por caçadores de índios, principalmente paulistas, e foram praticamente destruídas. Os jesuítas retornaram no final do século 17 e fundaram novas missões, sete delas tornaram-se prósperas.

Mais: Missões Jesuíticas dos Guaranis

Em 1640, houve a restauração da Coroa de Portugal, independente da Espanha. Os conflitos na região do Rio da Prata, entre os dois reinos, foram retomados. O do Atlas do Brasil de 1640, de Albernaz, mostra que a geografia da Lagoa dos Patos era precariamente conhecida.

Em 1676, fundou-se o povoado de Laguna, em Santa Catarina, que serviu de base para atividades comerciais no Rio Grande do Sul.

Em 1680, Portugal fundou a Colônia do Sacramento (no atual Uruguay), na margem norte do Rio da Prata, que, nessa época, era estratégica para o comércio no interior da América do Sul.

Continuação:

Rio Grande do Sul no Século 18

Rio Grande do Sul no Século 19

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Revolução Federalista

Rio Grande do Sul no Século 20

 

 

 

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Escravo negro conduz uma tropa no Rio Grande do Sul. Aquarela de Jean-Baptiste DeBret, de 1823.

Até parte do século 19, os negros, índios e caboclos representavam grande parte da população gaúcha. A participação relativa caiu bastante com a chegada dos imigrantes.

 

Albernaz Uruguay

 

Ruínas jesuítico-guaranis de São Miguel das Missões. A redução jesuítica de São Miguel Arcanjo foi reconstruída no final do século 17. Em meados do século 18, era um próspero povoado administrado pelos jesuítas e habitado principalmente por índios.

 

Povo caingangue da família linguística jê, os gaúchos primitivos. Esses índios habitavam vastas áreas do Rio Grande do Sul, desde o século 16. Fonte: historiadorsupf.

 

Gaucho negro

 

Brasil mapa seculo 16

 

Parte do litoral gaúcho, em 1640.

 

Brasil seculo 17

 

 

 

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Por Jonildo Bacelar